O
Grau 9 e a Cabala
Este trabalho, enquanto simples e despretensioso,
tem a finalidade de ser uma breve analise de alguns elementos simbólicos do
grau 9, a luz da Cabala e da tradição esotérica ocidental. Não tenho nenhuma
intenção de esgotar o tema ou mesmo reinventar a roda e, sim, de demonstrar
algumas similaridades entre o referido grau e algumas das artes e ciências
sagradas.
Portanto, vamos começar fazendo uma analise cabalística
do mesmo.
Nove enquanto equilíbrio entre a Razão e a Emoção
Na Cabala, o numero nove é o numero da sephira Yesod, que por sua vez,
representa o equilíbrio entre a razão e a emoção. Esta sephira está situada logo acima de Malkuth, que representa o mundo material. A sua esquerda está a sephira Hod, que representa a razão. A
sua direita temos Netzach(ou Nezah),
que representa a emoção.
Assim, Yesod
age como o ponto de equilíbrio entre Hod
e Netzach e como o próximo passo
quando se sai de Malkuth e se
"anda" rumo ao mundo espiritual. E qual seria a a característica
principal representada por Yesod
enquanto esse ponto de equilíbrio? É algo que usamos sem parar, do inicio ao
fim de nosso dia. E durante a noite, quando dormimos, também!
A
Imaginação!
Um dos nomes de Yesod
é "A Casa do Tesouro das Imagens". É através desta sephira que o ser humano sonha, tanto
dormindo quanto acordado. Todas as criações humanas tiveram seu formato , sua
aparência começando(tendo origem) em Yesod.
Todos os projetos e ambições, realizados ou não, começam aqui. Todos os atos de
bravura...e também as traições.
As traições realizadas pelos 3 maus companheiros
teve sua formação em Yesod. Todo ato,
bom ou mal, começa como uma ideia e depois esta ideia toma forma. Essa
"forma" é Yesod. Não é a
toa que esta parte da evolução maçônica tem como numero o 9(Yesod é a nona sephira)e tem como símbolo uma cabeça! E também não é por menos que
ela tem como obrigatória uma iniciação completa, dada sua importância. Todas nossas
quedas e também nossos acertos começaram em nossas cabeças.
Entretanto, a lenda do grau é clara: não devemos
agir como fanáticos e sair cortando cabeças por aí. Nosso zelo tem que visar o
corte de nossos vícios em sua raiz, ou seja, quando começam a tomar forma em
nossa mente. Assim, passemos a outra parte da simbologia.
A
Lâmina que corta pensamentos
Na tradição esotérica ocidental, particularmente no
Tarot, a espada(e por analogia o punhal e a faca) representa o mundo mental ou,
em forma simplificada, os pensamentos. Pode simbolizar tanto a clareza e a
precisão dos pensamentos quanto seu mal uso.
E o que é o pensamento mal utilizado? É aquele que
não tem origem na reflexão. É o pensamento escravo não da emoção, mas do calor
das paixões. Na lenda do grau 9, Johabem é dominado pela Ira , que embota sua
mente, fazendo com que o mesmo tenha apenas um pensamento: vingança!
E não somos assim de vez em quando? Não temos nossa
cabeça dominado por um único pensamento, seja ele de luxuria , medo ou mesmo
ira? Não nos sentimos anestesiados, perdendo tempo ruminando o mesmo
pensamento, tocando a mesma musica ruim?
Essa é a principal lição do grau: observa o começo
de suas ações ruins. Veja o que pensa. Quando começarem a crescer os vícios
dominados pelas paixões , cota-os pela raiz, com a espada da razão. Mas seja
preciso, não agindo com zelo em excesso ou por fanatismo. Seria agir sem pensar
da mesma forma.
Passamos o dia todo plantando sementes boas e ruins
com nossos pensamentos. Mas temos que aprender a selecionar esse plantio. Olhar
para dentro de si é como entrar em uma
caverna, tal qual na lenda do grau. Temos , no inicio, um local
escuro, as vezes tenebroso. É nesse local, nosso interior, que temos que jogar
uma Luz. Ao ser iluminado, veremos nossos sonhos e pensamentos ruins, que só
causam dor e morte. São esses que temos que cortar na raiz(ou a cabeça!) para
que então deixem de existir. Para isso temos a espada da Razão. A Razão
verdadeira, e não a razão imperfeita, maculada por nossas paixões e conceitos
fantasiosos. A Razão equilibrada!
A espada só cortará corretamente se for manejada com
equilíbrio. E o equilíbrio é feito conhecendo suas razões e emoções. Conhecendo
e concebendo a forma que sua vida deve tomar.
Na lenda , uma pessoa alerta os cavaleiros do
paradeiro do assassino. Esse amigo desconhecido é nossa consciência e também
nossa intuição, que por vezes nos alerta sobre esta ou aquela decisão
imprudente que por ventura queremos tomar.
Não temos como escutar a "voz" desse amigo
sem antes estarmos em equilíbrio com nossa Razão e nossa Emoção. Essa
"voz" é a voz da Sabedoria que surge desse equilíbrio. É uma
"voz" que nunca nos bajula, nunca nos engana, mas que mostra a
realidade e a vida da maneira como elas são.
Essa é a Verdade que buscamos. E o caminho para sua
Sabedoria é através do equilíbrio.
D.S. Nunes
PS: Hoje lancei mais um livro: Manual da Vida para Maçons Cansados
Ele coloca o simbolismo dos graus a serviço da vida prática dos irmãos. Novamente, não revelei neste livro nenhum segredo maçônico. Mas quem não for maçom não vai aproveitar muito se ler...vai ler apenas um livro de auto-ajuda para estes(e também pode ser útil nesse sentido!). Agora quem for maçom, vai ter a sensação de relembrar boas palestras feitas em suas lojas, talvez, ter novos insights sobre antigos i=ensinamentos. Se você é maçom e está cansado, não de ser maçom, mas de ver a maçonaria não produzir mais efeitos práticos em sua vida, este livro pode ter sido escrito para você!
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